Cegueira por glaucoma cresce no Brasil

06 Mar



O glaucoma degenera o nervo ótico, parte do olho que conduz as imagens da retina ao cérebro para que possamos enxergar. O envelhecimento da população fez a doença saltar no Brasil de 900 mil casos em 2010 para 2,5 milhões no ano passado. Isso porque, o censo 2018 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que da população total de 208 milhões, 86,1 milhões têm 40 anos ou mais. A estimativa do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) é de que a doença atinge 3% das pessoas nesta faixa etária.

Além da idade, afrodescendentes, quem tem casos na família,  já sofreu trauma ocular, ou tem doenças que alteram a vascularização do olho como a miopia e o diabetes corre maior risco de desenvolver  glaucoma. Isso porque, em 90% dos casos a doença está relacionada ao aumento da pressão intraocular causada por uma falha na drenagem do humor aquoso, líquido que preenche o globo ocular. Esta falha leva células do nervo óptico à falência e lentamente provoca a perda da visão periférica sem qualquer sintoma. Em olhos saudáveis o nervo óptico tem 1,25 milhões de células ganglionares. No estágio avançado do glaucoma, quando o portador percebe redução do campo visual, já são apenas 50 mil células com possibilidade de perder de três mil a cinco mil células ao ano. Isso significa que a perda total da visão pode levar de 10 a 15 anos.

A única forma de preservar a visão é através do uso contínuo de colírios que controlam a pressão intraocular. O problema é que 1 em cada 2 pacientes com glaucoma falham no uso do colírio. Isso acontece porque a maioria das pessoas usa colírios com Cloreto de Benzalcónio (BAK) um conservante que leva ao olho vermelho crônico  por causar da toxidade desta substância que causa ressecamento da lágrima,:, ceratite (inflamação da córnea e , simbléfaro (aderência da pálpebra ao globo ocular) ou espessamento da margem palpebral.

O oftalmologista poderia substituir estes colírios poderiam  por formulas sem conservante, mas esbarra na baixa adesão do paciente ao tratamento com este tipo de colírio por causa do preço mais alto.  O problema, afirma é que o tratamentos com colírios que contêm conservante pode dificultar os procedimentos cirúrgicos.

É possível manter o uso de colírios com conservante  e reduzir o desconforto com algumas adaptações que variam  conforme a classe do colírio em uso  e que só podem ser adotadas sob supervisão médica. Os principais elencados são:

Classe Farmacológica
    

Desconforto Ocular
    

Adaptação

- Alfa-agonista
    

- Olho seco, hiperemia, alergia
    

- Substituir por homólogo com 0,15 do princípio ativo e com conservante virtual.

- Inibidor de anidrase carbônica
    

-Ardência, sensação de corpo estranho, alergia, ceratite, olho seco
    

- Trocar de classe farmacológica quando ocorrer ceratite.

- Betabloqueador
    

- Ardência, olho seco, ceratite
    

- Associar maleato de timolol a 0,25.

- Prostaglandina
    

- Ardência, olho seco, pigmentação periocular e da íris, hiperemia, hipertricose.
    

A vermelhidão diminui em 4 semanas. As alterações de pigmentação e hipertricose só com a troca de colírio.

A maioria dos portadores de glaucoma tem olho seco. Por isso, independente do colírio utilizado, a dica é tomar cápsula de óleo de linhaça para melhorar a qualidade da lágrima e diminuir o desconforto causado pelos colírios.


Fonte: Portal da Oftalmologia

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