
As deficiências visuais e oftalmológicas das crianças infectadas pelo vírus zika são tema de preocupação entre os profissionais da saúde, 30% dos bebês com zika têm alterações oculares graves. Com frequência, vemos crianças com zika que são cegas, porque o vírus destrói a retina e o nervo óptico. Além disso, há ainda relatos de glaucoma e estrabismo. Os danos são sempre irreversíveis. O assunto foi debatido no 40º Simpósio do Instituto Paulista de Estudos e Pesquisas em Oftalmologia, realizado em São Paulo.
No evento, foi apresentado que o diagnóstico precoce dos problema visuais é imprescindível para que os pacientes apresentem avanços nos campos neurológicos e até motores. Entre as complicações mais comuns foram destacado erros refrativos, como miopia, astigmatismo e hipermetropia, estrabismo e hipoacomodação — que é quando o olho do bebê não consegue se acomodar no lugar certo para que ele veja as coisas de forma nítida.
Quando o olho não consegue focar, por exemplo, no rosto da mãe, o bebê perde o interesse no meio ambiente à sua volta. Ele baixa a cabeça e até fica com os olhos fechados, muitas vezes. O melhor de tudo tem sido ver que a resposta é imediata: a criança começa a enxergar o mundo de novas formas assim que coloca os óculos. Ela descobre coisas que não estava vendo antes e aí, com o estímulo da terapeuta, os outros campos visuais, neurológicos e até motores se desenvolvem muito mais.
Danos além da microcefalia
O zika vírus provocou alerta no Brasil principalmente pela possibilidade de provocar microcefalia nos bebês, condição em que cabeça e cérebro são menores que o normal de outros indivíduos da mesma idade. Entretanto, essa característica é apenas a ponta do iceberg na realidade das crianças infectadas. O que realmente assusta são as outras manifestações associadas à infecção pelo zika.
O comprometimento das redes pública e privada em diagnosticar os bebês de forma precoce é imprescindível para uma melhora das perspectivas. É importante orientar a mãe e a família quanto aos primeiros socorros que são necessários durante essas crises rápidas, que exigem cuidados emergenciais. Vale ainda ressaltar que nenhum caso é igual a outro. É preciso que haja um planejamento da reabilitação, uma intervenção precoce. O objetivo é atuar no que se chama de período sensível para o desenvolvimento da criança, em que todas as estruturas nervosas do corpo do bebê desenvolvem novas rotas, novas estratégias para que ela possa ter melhores oportunidades.
Em adultos
As possíveis consequências da infecção pelo zika vírus em adultos também foram abordadas no evento. Há descrições de lesões de retina e alguns pacientes que desenvolvem uma inflamação intraocular chamada uveíte. É uma inflamação que, além de rara, não costuma lesar nenhuma estrutura importante e rapidamente desaparece.
Fonte: http://noticias.r7.com